Top Ad unit 728 × 90

Destaques

Destaqu

Coluna "História Imobiliária": Lei de 1957 proíbe apartamentos menores do que 210m²


Por Denis W. Levati


Até meados dos anos 1950, a grande maioria dos edifícios da cidade de São Paulo estava localizada na região central e seguia o eixo das ruas Augusta-Paulista como vetor de crescimento e valorização. É a época de ouro dos quitinetes de 30 / 35m² que se proliferaram pelos bairros Vila Buarque, Consolação e Bela Vista, nas regiões próximas a Avenida 9 de Julho.

Anúncio do Baronesa de Arary - Folha da Manhã - 1954
Baronesa de Arary nos dias de hoje.
Quitinetes de um quarto de frente para o parque Trianon.

A legislação imobiliária até então apenas se limitava a controlar a altura dos edifícios e ainda assim de maneira pouco rígida. Nada se dizia a respeito de coeficientes de ocupação e adensamento. Até que em 1957 o então vereador Anhaia Mello, que já havia sido prefeito de São Paulo nos anos 1930, promulgou a lei 5261 que estabeleceu uma densidade máxima de 600 habitantes por 10 mil m² (hectare).

Em seu discurso, Mello destacava o crescimento desordenado da cidade e a especulação imobiliária. Dizia ele que assim estaria resolvendo o congestionamento provocado pelo crescimento vertical e, fundamentalmente, protegendo a família dos ‘pardieiros’ que proliferavam na cidade segundo seu discurso de defesa da lei. Juntamente com a promulgação da lei, o prefeito Ademar de Barros anunciava a decisão de suspender a construção do metrô.

"projeto de moderna concepção arquitetônica com todos apartamentos de frente"
Anúncio de empreendimento nos Jardins, publicado da Folha em 1964.  

Na prática e ao pé da letra, a área mínima de um apartamento na cidade de São Paulo passou a ser de 210m². Com alguma briga, conseguia se aprovar projetos de 150m² a 170m². O mercado imobiliário da época acusou o golpe. À medida que os apartamentos em estoque foram acabando, não surgiram novos lançamentos. Os imóveis sumiram dos classificados da Folha e do Estado de São Paulo. Tão comuns nas décadas anteriores foram rareando até sumir de vez, perdendo espaço para as lojas de departamento como Mappim, Sears e Clipper. Mas não tardaria para as construtoras e empresas imobiliárias criarem alternativas.

Pela Estrada de Santos

Ao paulistano médio, bem sucedido ter sua casa no litoral santista sempre foi símbolo de status. Até o começo dos anos 1950 haviam poucos edifícios na orla de Santos, São Vicente e Guarujá. Nos anúncios, as empresas limitavam-se a oferecer terrenos e loteamentos a beira mar. 

Anúncio de loteamentos na Praia Grande
Como na cidade de São Paulo as construtoras estavam amarradas pela limitações da lei Anhaia Melo, vender apartamentos na Baixada Santista parecia ótima ideia. E era. Da mesma forma que os anúncios imobiliários foram sumindo na virada das décadas de 50-60, eles aos poucos voltaram para ajudar a vender para os paulistanos de classe média, o sonho dos apartamentos de veraneio.


Anúncio em página dupla da Folha de SP em 1963. 
Edifício Santa Verônica em São Vicente.
Folha de São Paulo em 1964.

O processo de verticalização de Santos
ganhou folego com a restrição de novos prédios em São Paulo.
Anúncio de 1965 - Folha de São Paulo.
Além da verticalização da Orla das cidades da Baixadas, outra consequência da Lei Anhaia Mello foi a criação de uma enorme demanda por apartamentos de média e baixa metragem na capital paulista. Os lançamentos, quando existiam eram de apartamentos enormes, muitas vezes de edifícios de uma única unidade por andar o que era inviável economicamente para a maioria da população.

O BNH influenciou a retomada do mercado imobiliário
na década de 1970.
Anúncio - FSP - 1971
O surgimento do Banco Nacional de Habitação (BNH) em 1967 foi uma nova revolução para o mercado imobiliário brasileiro, uma vez que para financiar apartamentos populares, de dois ou três dormitórios era preciso transformar estruturalmente os edifícios brasileiros. A lei 5261/57  foi revogada, o Metrô começou finalmente a ser construído e estes fatores foram fundamentais na retomada do processo de verticalização da cidade de São Paulo durante os anos 1970.

E Santos?

Com a retomada dos lançamentos imobiliários em São Paulo, o ritmo de novos projetos em Santos e nas outras cidades da Baixada diminuiu, mas não parou. Não nos é possível dizer com propriedade de especialistas, mas fato é que, os primeiros edifícios construídos na orla apresentaram problemas estruturais com o tempo, o que pode sugerir falta de experiência das empresas que migraram de São Paulo para realizar ali seus projetos. Acompanhem:


Mais de 40 anos depois, impulsionado pela descoberta de reservas de petróleo na camada pré-sal e mais uma vez influenciado pelo mercado da Capital que mostra sinais de saturação, Santos vive novo boom imobiliário, agora com projetos de altíssimo padrão, torres comerciais e hotéis que surgem ocupando inclusive o espaço de prédios mais antigos.




Artigo escrito por Denis Levati - Marketingimob
Fontes utilizadas:
Folha de São Paulo - Acervo Histórico
São Paulo: Crise e Mudança - Ed Brasiliense e Prefeitura de São Paulo - 1991.

Coluna "História Imobiliária": Lei de 1957 proíbe apartamentos menores do que 210m² Reviewed by Denis Willian Levati on 13:57 Rating: 5
All Rights Reserved by Marketing Imobiliário - Marketingimob © 2014 - 2015
Powered By Blogger, Designed by Sweetheme

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Tecnologia do Blogger.