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As estratégias utilizadas pelo mercado imobiliário brasileiro há 20 anos atrás.

Por: Denis W. Levati

A primeira semana do ano tem por tradição ser a época onde surgem as primeiras matérias em sites e blogs especializados que procurar apontar um Norte das mais diversas áreas do ano que se inicia. No mercado imobiliário não é diferente e acompanhado das tendências surgem sempre as previsões de que este ano o cenário econômico influenciará diretamente na decisão de compra ou que um fator externo pode influir no mercado interno ou qualquer outra previsão apocalíptica em economês fluente.

É certo que o mercado imobiliário sofre muito com as oscilações da economia, mas é certo também que a mais de 80 anos ele sobrevive e se reinventa a cada crise, ressurgindo mais forte quer seja com relação aos projetos quer seja em relação a legislação. E nunca houve bolha, inflação, troca de moeda ou de regime político que tenha impedido um prédio de ser vendido.

Tomemos como exemplo o Brasil pré Plano Real. Há 20 anos imperavam por aqui a incerteza econômica e a hiperinflação, chegamos a ter duas moedas vigentes (URV e Cruzeiro) e por conta desta turbulência os preços dos imóveis eram indexados em dólar. Diante de todo este cenário onde nenhum economista era capaz de dizer com certeza sobre o futuro o mercado imobiliário não esmoreceu, tomou fôlego e mostrou do que era capaz.

Apartamentos a Preço de Banana

Feira de imóveis no Eldorado.


As dificuldades econômicas de 1993, castigavam o mercado imobiliário. A imobiliária Roque & Seabra, percebeu que apartamentos construídos em pontos não idealmente procurados pelo consumidor passaram a ser agora a única possibilidade, para muitos, de adquirir moradia de boa qualidade. Em ação até então inédita propôs  a realização de uma grande feira, em São Paulo, para colocar em 'oferta' cerca de 2.000 apartamentos de diversas construtoras, e promover uma verdadeira 'liquidação' de imóveis, com a duração máxima de dois fins-de-semana. A agência de publicidade Archote achou o tema ideal: 'Apartamentos a preço de banana', dentro do conceito das liquidações populares. No estacionamento do Shopping Eldorado, na Zona Sul, foi montado, literalmente, um circo com mais de 100 corretores oferecendo 2.000 apartamentos, numa variedade incrível de ofertas. Os próprios diretores das empresas participantes decidiam negócios e autorizavam descontos na hora. O comprador já saía da feira com o contrato assinado. 




O enorme sucesso da feira motivou outras empresas a promover eventos nos mesmos moldes. Mas foi para a Roque & Seabra e para a Archote o Master Imobiliário de 1994 pelo pioneirismo em realizar os feirões de imóveis.


Em junho de 1993, os feirões viravam moda.
O da  Camargo Dias estampava a capa e a contra-capa do
Classifolha.
Financiamento em 100 meses

Financiar imóvel a longo prazo era um risco que nenhuma instituição financeira queria correr. Por isso um marco no mercado imobiliário foi o financiamento em 100 parcelas que abriu a possibilidade para que muitas famílias pudessem adquirir seu imóvel. O Plano 100 da Rossi Residencial foi um dos mais famosos e concorridos desde a sua criação em 1993 mais de 14 mil unidades foram entregues no Brasil segundo o site da construtora.

Classifolha, agosto de 1993.
Anúncio do Plano 100 na  Folha em Novembro de 93
trazia um detalhe para conferir credibilidade ao empreendimento.

Selo do Anúncio do Plano 100 aconselhava que o mesmo
faria parte do contrato para fazer valer os prazos prometidos.

Preços em Dólar

Cruzeiro, Cruzeiro Real e Real. Em pouco mais de um ano a moeda brasileira mudou três vezes e em algum momentos mais de uma medida monetária foi utilizada. Para diminuir o ruido de tantas mudanças, era praxe o mercado imobiliário utilizar o Dólar para indexar os valores dos apartamentos e casas. Quando do ato da compra, o valor do imóvel era convertido em Cruzeiro pela cotação diária do Dólar, por incrível que pareça  era uma maneira de simplificar o processo.

Classifolha, agosto de 1993

Classifolha, maio de 1993
Em alguns casos, utilizava-se o valor de um automóvel ou mesmo de uma moto para indexar o valor de um apartamento. Na edição de 09 de maio de 1993 da Folha, um anúncio de apartamentos na Vila Mariana lançava mão deste recurso. O apartamento de dois dormitórios referia-se ao 'preço a vista, a partir do equivalente a um Ford Taurus Gl, publicado neste jornal na página 4 da seção Autos por US$ 49 mil'
Só por curiosidade, o edifício do anúncio está pronto há 18 anos em um dos bairros mais valorizados da cidade é avaliado pelo site 123i por volta de R$ 300 mil. Já o Ford Taurus, encontramos alguns no Mercado Livre.

Ford Taurus GT, vendido no Mercado Livre por R$ 6.900,00
Do Plano Real em diante


A estabilidade política e econômica que o sucesso do Plano Real proporcionou ao mercado imobiliário brasileiro a tranquilidade que precisava para seguir enfim uma linha evolutiva. Ao longo dos anos, nem mesmo as tormentas econômicas, nem mesmo a tremenda crise de credibilidade proporcionada pela  bancarrota da Encol  fez com que as empresas construtoras e imobiliárias deixassem de  lançar projetos em todo o País. 
Dos anos 2000 em diante, as empresas imobiliárias
mergulharam de cabeça na internet e no marketing digital.


Com a moeda estabilizada, a inflação controlada novos rumos puderam ser seguidos. A dominar a internet foi um passo importante neste processo que merece um estudo e um post em uma próxima ocasião. Sobre  o mercado imobiliário brasileiro, olhando para o passado e se espelhando nas vitórias daqueles que o fizeram é possível crer que, qualquer que seja a previsão para  2012 estamos muito bem preparados.

As estratégias utilizadas pelo mercado imobiliário brasileiro há 20 anos atrás. Reviewed by Denis Willian Levati on 09:49 Rating: 5
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