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"Mercado Imobiliário e Edifícios de Apartamento" - Histórico da configuração dos apartamentos no Brasil:


Produção do espaço habitável no século XX- Simone Barbosa Villa
O início da modalidade e sua vinculação com o mercado imobiliário

O texto abaixo é um fragmento do artigo de Simone Barbosa Villa, que considero leitura obrigatória para os amantes do mercado imobiliário. Material interessantíssimo sobre o desenvolvimento do mercado e do histórico da configuração das moradias no Brasil. Clique aqui para ler na íntegra.

"... Para compensar as perdas de área das unidades, verificamos que, a partir dos anos 1970, os empreendimentos, principalmente de alto luxo, iniciam um processo que se desenvolve com toda a força nos dias atuais, de valorização da esfera coletiva dos edifícios de apartamentos, caracterizado pelo surgimento de equipamentos de uso coletivo. Se, por um lado, na década de 1980, na maioria dos anúncios publicitários de ofertas de apartamentos para venda, a ênfase era dada sobre o produto – materiais de acabamento, interfones, armários embutidos de tal madeira, elevadores de tal marca, etc -, a partir de meados da década de 1990, os estilos de vida começaram a ser valorizados. Não bastava que os edifícios de apartamentos fossem dotados de variada gama de equipamentos coletivos. Tornava-se importante explicitar de que forma estes poderiam influir no status social dos moradores. Itens essenciais para se viver bem passaram a ser enfatizados na maioria dos lançamentos de apartamentos da cidade de São Paulo.

Novas fórmulas de habitação foram-se delineando por iniciativa do mercado imobiliário que, auxiliado pelos profissionais de marketing, estava atento às transformações em curso do perfil dos usuários. O número de descasados, solteiros, DINKs (Double Income No Kids), casais com mais idade cujos filhos já saíram de casa e idosos que viviam solitariamente havia aumentado significativamente nas últimas décadas, principalmente nos grandes centros urbanos e o mercado tratou de contemplá-los, segmentando seus projetos. Em meio às configurações convencionais, vieram os flats, Lofts, Butler-services e uma valorização das antigas kitchenettes.

Outro recurso utilizado pelos vendedores de edifícios de apartamentos sob o pretexto de responder à diversidade de perfis familiares, foi o de oferecer, ainda na fase pré-construção, opções de organização interna das unidades. Uma boa parte dos lançamentos de edifícios de apartamentos de três dormitórios da cidade de São Paulo apresentava, a partir do final da década de 1990, as chamadas plantas flexíveis. Eram colocadas à disposição dos compradores várias opções de planta interna, que, nos dizeres mercadológicos, atendiam melhor às necessidades e o estilo de vida de cada um. O problema destas plantas é manterem a estrutura convencional de cômodos monofuncionais e a tripartição social-íntimo-serviços, sem questionar se esse modelo è ainda adequado aos modos de vida contemporâneos. Algumas possibilidades de reorganização oferecidas limitam-se à alteração do uso de alguns cômodos. Outras pressupõem o deslocamento de portas, a construção ou não de certas paredes, diferentes possibilidades de uso para o dormitório de empregada. Às vezes chega-se a oferecer uma centena de possibilidades de plantas. Trata-se, no entanto, de uma flexibilidade inicial, controlada pelo projeto, e que pode ser bom, e muitas, vezes, por se utilizarem painéis leves para divisórias, permitem alterações futuras sem grandes reformas..."





Imagens históricas.


Fig. 2 - Edifício, rua Barão de Itapetininga, meados de 1920, arquitetos Samuel e Christiano das Neves [Arquivo FAU-USP]




Fig. 03 – Edifício Angel, avenida Angélica n. 172, Júlio Abreu Júnior, 1927. Planta tipo [Arquivo FAU-USP]




Fig. 05 – Conjunto residencial Pirineus, Estrada de Itapecerica, s/ identificação do autor, 1978, planta tipo [Jornal Folha de S. Paulo, 15/03/1978]




Fig. 06 – Planta de apartamentos com dormitório reversível. Edifício Vila Romana, rua Croata, s/ identificação do autor, 1984 [Jornal Folha de S. Paulo, 17/07/1984 e 16/03/1983]



Fig. 08 – Edifício Grand Space Perdizes, Pompéia, Tecnisa, 2002, peças gráficas de publicidade [www.planetaimoveis.com]






Fig.10 – Edifício New York Condominium, São Paulo, s/ identificação do autor, década de 1990, planta tipo [www.romeuchapchap.com.br]



O presente artigo foi baseado na pesquisa de mestrado: VILLA, S. Apartamento Metropolitano: habitações e modos de vida na cidade de São Paulo. EESC-USP, São Carlos, 2002, orientada pelo prof. Dr. Marcelo Tramontano. Faz parte da pesquisa de doutorado em andamento intitulada: “Morar em Apartamentos: a produção dos espaços privados e semiprivados nos apartamentos ofertados pelo mercado imobiliário no século XXI na cidade de São Paulo. Critérios para Avaliação Pós-Ocupação”, FAU-USP, orientada pela profª. Drª. Sheila Walbe Ornstein do Departamento de Tecnologia da Arquitetura. Originalmente publicado em: VILLA, S. B. “Mercado Imobiliário e Edifícios de Apartamentos: produção do espaço habitável no século XX”. In: Anais do IV Seminário Internacional da LARES (Latin American Real Estate Society), São Paulo, LARES, 2004.
"Mercado Imobiliário e Edifícios de Apartamento" - Histórico da configuração dos apartamentos no Brasil: Reviewed by Mariana Ferronato on 14:48 Rating: 5
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