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O Início da Publicidade Imobiliária no Brasil

Post publicado em Julho de 2010, mas vale postar novamente. Conteúdo muito interessante.

“Até a década de
1970/1980 nomes de pessoas em empreendimentos eram comuns, como Edifício Carla, Edifício Sandra. Ou ainda denominações referentes às ruas e aos bairros em que eram lançados os produtos, como Edifício Santo Amaro ou Condomínio Alameda dos Pinheiros.

Em meados dos anos de 1980, com a intensificação de lançamentos de condomínios residenciais com áreas de uso comum, os empreendimentos passaram a ter mais freqüentemente “embalagens conceituais” – a partir do nome, de uma identidade única – com logotipos cada vez mais elaborados.
A propaganda com conceito passa a ser mais comum a partir de 1960, com a utilização de novos procedimentos criativos e recursos retóricos. Contudo, ainda era o dominante, o uso de argumentos racionais para destacar os atributos do produto fundamentados em uma estrutura dissertativa, de convencimento.
No decorrer dos anos de 1970 e nos seguintes, encontramos mais presentes os apelos emocionais, alicerçados em narrativas persuasivas e não mais de convencimento, que privilegiam estilos de vida, a emoção sobrepondo-se a razão na busca pela adesão do leitor e sua identificação com o “universo mágico” da publicidade.
Para ilustrar esse período de transição pelo qual passou a cidade, e a publicidade imobiliária, com a chegada de um grande número de lançamentos de condomínios verticais, utilizamos dois anúncios que trazem diferentes recursos suasórios.
O primeiro, da construtora Della Manna do fim da década de 1970, segue mais o modelo alicerçado na razão, elencando as desvantagens de morar em apartamentos comparativamente aos benefícios de viver em uma casa.


Fonte: II Anuário do Clube de Criação de São Paulo, 1977, p. 66

Os argumentos são divididos em quatro rounds:
O primeiro aborda a posse e a privacidade: Quando você mora em apartamento, o dono é o síndico. x Quando você mora em casa, o dono é você mesmo.
O segundo volta-se para a questão econômica: Em São Paulo existem apartamentos de alguns bi. Já imaginou isso empregado na construção de uma casa?
O terceiro apela para a liberdade e o bem-estar: O que faz um homem morar em um apartamento em lugar de uma casa? As pessoas que vivem nas grandes cidades estão perdendo alguma coisa de essencial. [...] Elas praticamente hibernam. Em anônimos apartamentos onde a sua liberdade só termina e a dos outros só começa.
E, finalmente, o último round, que traz alguns atributos da empresa: Nós não somos uma fábrica de edifícios, mas um escritório de artesanato. Construímos como você imagina que deva ser sua casa.
Mais racional, o slogan sintetiza e ratifica a mensagem do anúncio: A vitória do bom senso.
Já o anúncio da década de 1980, do Condomínio Alameda dos Pinheiros, faz da disputa entre casa e apartamento uma narrativa bem humorada, discorrendo sobre os problemas de uma família que mora em uma casa, em vez de ressaltar as qualidades do produto (um condomínio de apartamentos): Querido: O filtro da piscina quebrou. A fossa entupiu. O piso da quadra de tênis está uma droga. Parece que a antena da TV está fora do lugar, não está pegando nada.
O anúncio não tem título, apenas um slogan em que é feita referência ao produto, como solução para todos os problemas: O jeito é comprar um apartamento no Altíssimo de Pinheiros. É o papel da "moral da história"."

Fonte: X Anuário do Clube de Criação de São Paulo, 1985, p. 178.
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Fonte: Publicidade Imobiliária e suas Construções Retóricas - Maria Cristina Dias Alves, ESPM, São Paulo

O Início da Publicidade Imobiliária no Brasil Reviewed by Mariana Ferronato on 20:01 Rating: 5
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